domingo, 4 de outubro de 2015

TONO
Seh M. Pereira
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E tento
não gorar a minha
gastura dos
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sapatos, mas às vezes este mesmo
passo já nasce gorado por si só; não há quem o estufa. Às vezes este
mesmo passo deixado me acolhe.. Tento o resgate dos
meus não-ditos, antes

do
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vencimento do
prazo estabelecido no dia da véspera; antes da aquisição de
terceiros. Pés-inquilinos
que se perdem no tempo-aluguel não
constroem casa
de tijolo..
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domingo, 12 de julho de 2015

MOINHO
Seh M. Pereira
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E mesmo sendo a
gira..! Ou mesmo não sendo um
gorado do meu próprio novelo.. Sendo a roca
viva, e
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o eixo enferrujado dos ponteiros pelo gota a gota do
tempo.. Ou até
mesmo, também, não sendo
minha estufa, e olhos abertos; conheço meus
sóis. O

sendo, sou eu..
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Não sou eu, o semideus que corta as
deixas, mas sou eu que decide ao chão-cru..! Sou eu que
decide se corto as deixas, ou corto o meu semideus e desfaço a véspera: o

decide,
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sou eu.. Os outros gorados de mim são tão
nato, quanto o
nato que me leva ao centro

de
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minha vida: o tão, sou eu..! Carrego o silêncio que vaza pelos corredores de
si próprio; mas não me engana pois o
mundo vai estar lá, e ela pulsa: o pulsa, sou eu.. Sou eu, o
mundo ao entrar no
chão-cru, e minha certeza sobre os meus pés é
que não dá para voltar.. De lã em

lã,
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às vezes me aplaudo..! Às
vezes
.
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silencio.. Sou eu, os inúmeros natos que
ensaiam seus não-ditos ao mesmo tempo sem que um
destextualize o outro.. Sou

eu,
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os inúmeros.. Os sóis sobre mim foram feitos para permanecerem
apagados, mas faço a desfeita e
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aplaudo-me: mesmo
antes do parto começar.. Atravesso as horas, enquanto
ensaio os monólogos que me
complementam e o ensaio para..! Questiono-me se
realmente
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meus outros eus deveriam ter parado; pois
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sou eu, o mundo..! Sou eu, o
enquanto. Sou eu, os
complementam..! Sou eu, o não para.. Sou eu, o
ruido do eixo que
nada mais
é

do que a ferrugem do gota a gota do tempo.. Sou eu, quando me aplaudo!..
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QUIÇÁ
Seh M. Pereira
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Só durmo com
cão que
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não

tenha sarna,
mesmo se for o dos diabos..!
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quinta-feira, 9 de julho de 2015



ZIGOTO
Seh M. Pereira
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Talvez a poesia seja

este
pipa que acabou de cair na
minha laje, agora
que

estou

velhinho..
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quinta-feira, 25 de junho de 2015

ROSA PRETA
Seh M. Pereira
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Nasci sem
porte e desprovido
de

beleza.. Sem esses atributos..! Sou, só,
mais um  
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imperfeito; a espera do tento,
vida comum. Nem sempre corro pelo
certo.
Amarro-me em
Jesus Cristo, mas a outra

face
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não entrego..! Respeito meu codinome Rosa Preta..! Não nasci
em berço de ouro.
Ouro de tolo,

não me convém!.. Sem um puto no bolso.. Sou, só,
mais um imperfeito..
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A espera do tento, vida comum.

Nem sempre ajo de
uma forma politicamente correta..!
Sei que
não posso ser assim, mas
vou tentando ser.. Respeito meu
codinome
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Rosa Preta..!
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sexta-feira, 12 de junho de 2015

TÍLBURI
Seh M. Pereira
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ao mesmo riso: um
outro

recém,
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mais anterior do que consta em minha certidão de
idade, e

sua
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canção. eu também já observava-o; e

sua reza versada
continua foi me estendendo
a mão.
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destinos formigantes em mim..
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agradeceu-me por
tê-lo
recebido com
os

olhos.
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se foi

como quem não
parte, ou
parte mas deixa algo; sorriu-me..
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sorri com os
olhos, e me parece que
todos me olham..

sorri
.
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com os olhos, e me
parece

que todos me olham ao mesmo passo.. meus
olhos têm o
seu

nome, viu..
.
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ao mesmo riso: meu
recém

chegado ao centro dos meus olhos. equilibrando-se
por sobre o seio, para me ver. eu já
olhava-o, e quando me
viu
.

este nato também me sorriu..! meu
olhos têm o seu nome.. sorri com os olhos, e me
parece que todos me
olham..
.

sorri com os olhos, e me
parece que

todos me
olham
ao mesmo passo; ao
mesmo riso..

ao mesmo riso:

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meus olhos têm seu nome, viu..
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sexta-feira, 5 de junho de 2015

NAFTALINA
Seh M. Pereira
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seu nome

não foi
feito pra ficar, na gaveta, guardado.. tirei
o bordado da naftalina..
dei os

nós, e
no laço da fita rendo-me..
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e eu aqui
com
.

essas minhas inúmeras
mãos, de dedos em figa..
e eu

aqui, com esses
.
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vários
.

e vários detrás dos
pés, e a gira dos ponteiros que
continuam

dando-me voltas..
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e eu aqui
feito

um eixo que segue seu
destino em ser
ferrugem, mas não
paro..
.
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e nato;
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nato, nato..

é ao seu nome que
reajo
em todos os meus partos..
descosturei seu
.
.

nome na
boca
do sapo, e
adentrrei
o céu..
.
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e eu aqui

carregando sobre os
pulsos, inúmeros nós nas fitas
com seu nome
bordado..
.

.
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seu nome não foi
feito pra ficar, na gaveta, guardado.. tirei o
bordado da naftalina..
dei

os nós, e no laço da fita rendo-me..
.
.

e eu aqui

trocando confidências com meu
espelho-falado; e gotas
do mudo-raso
.
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de minhas crenças.. e eu
aqui com
.

meu joelho-vesgo;
rezando ao meu, e ao santo
de sua casa..
e parto;
.
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é ao seu
nome
que
reajo aos
meus
.

natos..
.
.

descosturei seu
nome na
boca do sapo, e adentrei

o céu..
.
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