terça-feira, 3 de novembro de 2015


Seh M. Pereira
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E
do sangue
que benzia-lhe as
pernas, a cura; da roca-viva, os
giros dos ponteiros. Das
contrações de
um

quarto-gestante.. Do
.
.

enovelamento, não como os
outros
emaranhados de
linhas descontínuas que me silenciam.. Grito
tudo
sem saber o
que deve ser adiado, mas
às vezes tento

não
.
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impacientar tudo que
acredito.. Conservo os nós que me une
aos cordões umbilicais, e tento
reapropriar-me
dos

meus
.
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passos deixados.. Conservo em mim, a
fé de minha
Maria;
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avó,
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fiandeira do meu tempo.. Virgem de
milagres. Às vezes permaneço adiado nos vãos que se
anunciam através da
incompletude das linhas tracejadas, e me
propõem preenchimento.. Tento ter
mais pressa que os ponteiros
que continuam dando-me

giros, mas
.

às vezes
.
.

permaneço vão.. Vãos de uma
linha tracejada que me
propõem preenchimento; do sangue que benzia-lhe as
pernas, a
.

cura; roca-viva, os
giros dos
ponteiros; minha fiandeira do
.
.

tempo.. Tendo a um
só santo
etiqueta, mas às vezes este de
casa se torna a
minha própria ordem de
.

despejo.. Às
vezes tento conservar o meu
resto de grito; às vezes
tento

a
.

paciência de falar de milagres que
não cheguei a ver. Às
vezes tento me
aproximar dos meus outros
natos, lã a

lã.. Dos

meus
.
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ditos, ou silêncio,
nada têm de
definitivo.. Permaneço no mudo-raso, ou
concepção, do meu velho par de
sapatos que reaprendem a
.
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gastura..

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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

TABULEIRO
Seh M. Pereira
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cavalgo
em
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elefante, na gira que acrescenta um
descontínuo ao
meu chão-cru.. tento não
permanecer sob as ameaças dos meus próprios
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não-ditos.. a
quebra do silêncio ao anúncio do término do
prazo da penhora. inúmeras vezes
inúmeras.. as trocas de
.
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confidências
entre os

outros eus e as paredes de um quarto-gestante. tento
não permanecer adiado.. corto as
arestas do meu
sinal da cruz, em prejuízo do meu joelho-vesgo. pés-inquilinos,
.
.

desapropriados dos
.

sapatos, a
fiar o tempo-aluguel a fim de um
enovelamento dos vãos de um emaranhado
de linhas tracejadas.
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cavalgando em
elefante.. da gira dos ponteiros sem passar pelo
ponto de partida, refazendo as
minhas voltas tomadas
inúmeras
vezes inúmeras. são meus não-ditos os
encarregados de realizarem meus partos, e me informarem
os
.

partos de
um
.
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chão-cru de si próprio.. cavalgando em
elefantes.. tento não
permanecer penhorado sob meus ditos vendados, nas
prateleiras de uma loja de
antiguidades. o tento de derrotar este círculo
na gira, ou

apenas
.
.

mostrar aos ponteiros que
permaneço

a
.

preencher estes
vãos. das voltas tomadas que
acrescentam a incompletude do meu
chão. nosso amor é
.

uma pata de elefante tentando adentrar o céu..
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domingo, 4 de outubro de 2015



QUIRERA
Seh M. Pereira
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Resgato os meus
não-ditos, antes pendurados nos
cabides da loja de antiguidades, e me cubro.. E
que
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meus natos possam construir
suas casas de
tijolos, ao corte dos cordões umbilicais.. E
que eu possa reconhecê-los, mesmo não portando as certidões
.
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de idade..
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TONO
Seh M. Pereira
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E tento
não gorar a minha
gastura dos
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sapatos, mas às vezes este mesmo
passo já nasce gorado por si só; não há quem o estufa. Às vezes este
mesmo passo deixado me acolhe.. Tento o resgate dos
meus não-ditos, antes

do
.
.

vencimento do
prazo estabelecido no dia da véspera; antes da aquisição de
terceiros. Pés-inquilinos
que se perdem no tempo-aluguel não
constroem casa
de tijolo..
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domingo, 12 de julho de 2015

MOINHO
Seh M. Pereira
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E mesmo sendo a
gira..! Ou mesmo não sendo um
gorado do meu próprio novelo.. Sendo a roca
viva, e
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o eixo enferrujado dos ponteiros pelo gota a gota do
tempo.. Ou até
mesmo, também, não sendo
minha estufa, e olhos abertos; conheço meus
sóis. O

sendo, sou eu..
.
.

Não sou eu, o semideus que corta as
deixas, mas sou eu que decide ao chão-cru..! Sou eu que
decide se corto as deixas, ou corto o meu semideus e desfaço a véspera: o

decide,
.
.

sou eu.. Os outros gorados de mim são tão
nato, quanto o
nato que me leva ao centro

de
.

minha vida: o tão, sou eu..! Carrego o silêncio que vaza pelos corredores de
si próprio; mas não me engana pois o
mundo vai estar lá, e ela pulsa: o pulsa, sou eu.. Sou eu, o
mundo ao entrar no
chão-cru, e minha certeza sobre os meus pés é
que não dá para voltar.. De lã em

lã,
.
.

às vezes me aplaudo..! Às
vezes
.
.

silencio.. Sou eu, os inúmeros natos que
ensaiam seus não-ditos ao mesmo tempo sem que um
destextualize o outro.. Sou

eu,
.

os inúmeros.. Os sóis sobre mim foram feitos para permanecerem
apagados, mas faço a desfeita e
.

aplaudo-me: mesmo
antes do parto começar.. Atravesso as horas, enquanto
ensaio os monólogos que me
complementam e o ensaio para..! Questiono-me se
realmente
.

meus outros eus deveriam ter parado; pois
.
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sou eu, o mundo..! Sou eu, o
enquanto. Sou eu, os
complementam..! Sou eu, o não para.. Sou eu, o
ruido do eixo que
nada mais
é

do que a ferrugem do gota a gota do tempo.. Sou eu, quando me aplaudo!..
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QUIÇÁ
Seh M. Pereira
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Só durmo com
cão que
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não

tenha sarna,
mesmo se for o dos diabos..!
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quinta-feira, 9 de julho de 2015



ZIGOTO
Seh M. Pereira
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Talvez a poesia seja

este
pipa que acabou de cair na
minha laje, agora
que

estou

velhinho..
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