domingo, 12 de junho de 2016




PERÍFRASE
Seh M. Pereira
.
.
.
.

Adentro no seu mar de saliva
morna, e desvendo

a língua
.
.

de todo seu dialeto..
.
.
.

.


.
.






domingo, 5 de junho de 2016


PRENHO
Seh M. Pereira
.
.
.
.

E desenterrei ao
pé da
árvore, de minha infância, meu velho par de
sapatos.. E
no meu pneu-de-balanço carrego
todos os meus eus, e

este
.

que me veste agora; ou,
aquele que, já não me veste mas ainda me
encontro.. Aperto
.
.

o passo, e os
ponteiros insistem em me dar
voltas.. E desenterrei
ao pé da árvore, de minha infância, os
passos que

deixei
.

pelo caminho; deixo partir aquele que já não me
veste, mas sem perdê-lo de
vista. O eixo, dos ponteiros, que não
segue seu destino em
ser ferrugem.. O
.

nome que carrega em sua
certidão de idade
.
.

é que reajo, no gota a gota do tempo..

.
.
.

.

terça-feira, 31 de maio de 2016


LIMÍTROFE
Seh M. Pereira
.
.
.
.




E dou-me as que me
entram sem pedir licença. E as
reconheço..! A esses demônios me entrego. Dou-me a todos os
demônios que me comem por dentro, e posso
.

chamá-las pelo nome.. Dou-me, também,
quando o meu santo
bate
.
.

com o de sua casa..

.
.
.
CHUSMA
Seh M. Pereira
.
.
.
.


Abro a gira dos
ponteiros, e proponho-me o aperto do passo; de um eixo que não
segue seu destino em ser ferrugem.. Não reajo a
nenhum nome de santo, mas
.
.
rezo aos

de
outras casas..

.
.
.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

QUILOMBOLA
Seh M. Pereira
.
.
.
.

Negro que lê..! Vestido de
renda,
bordado a mão, África
mãe. Tecido
.
.

rasgado.
.

Lutei; mas
a ratazana que roeu a
roupa da rainha e deixou-a seminua
ainda está prenha. Fiandeiro com discurso de capitão
do
.

mato não
completa, áfrica rainha.
.
.

E a ratazana que não
perde sua prenha. Agulha em desarranjo, não
completa
quilombola. Negro com discurso de
capitão do mato
descostura. Não completa..!
.
.

Dei água a mãe; dei água. Dei água no seu trono de rainha, África.
.

Lutei!.. Bordado a
mão; negro que lê, casa
grande não acolhe. A ratazana e
.
.

suas ninhadas, casa
grande
acolheu. Tecido rasgado; vestido de
renda, África

rainha mãe.
.
.

Casa grande senzala que se
planta injustiça pisada por pés pretos
descalços. Discurso de fiandeiro capitão do mato,
não completa, em
senzala que se planta injustiça pisada por pés pretos descalços. Quilombola,
casa grande não acolhe;
.

lutei!..
.
.

África chora as
lágrimas de seus filhos paridos
neste navio negreiro.
.

Mas reescrevo minha história. Dei água a
mãe; dei água. Dei água no
seu trono de
.

rainha, África.

.
.
.

.

terça-feira, 10 de maio de 2016




EM
Seh M. Pereira
.
.
.
.

da arrebentação: em
pêlos, e
pelos seus aplausos me
dou..! ensaio de
línguas;

das nossas
.

salivas

em dialeto; nua.. em
pano de

fundo, despida: em
.
.

pêlos, e pelos
nus sentidos. dos
cúmplices. do eu, todo
líquido. ensaio de
línguas. toda arrebentação e

timbre..! em

pêlos,
e me
.

afogo..
.
.
.

.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

ESTANDARTE DE OURO
Seh M. Pereira
.
.
.
.

Aceitei
.
.

ser seu carnavalesco. Comissão de
Frente: todo jogado fora.
Bateria: ao comando do Mestre Tranco e Barrancos. Evolução aos
poucos.. Fantasia latente!.. Todo trabalhado em

luxo,
.

defeito e Alegoria. Eu,
mestre-sala; e você, minha porta-bandeira..! Desfilando aos
aplausos da arquibancada!.. Enredo
perfeito para o
.
.

amor.. Danem-se os jurados! Harmonia pura e
convidativa. Samba-Enredo na
boca do povo. E
.

a nossa
Escola de Samba
não caiu! Vai ficar para a
.
.

estória..
.
.
.